quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Meu amor.

Meu coração fechou-se em concha
Para guardar tua imagem na janela.................. agora vazia
Para reter o doce das palavras ditas................ agora vazias
Para preservar os momentos........................... agora vazios
Para acreditar no sonho................................. agora vazio
Para que não vazes de mim gota a gota
Etelvina de Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/08
A minha vida é um barco abandonado.
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Fernando Pessoa
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
Segredo.
Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos.
Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro?
O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
Fernando Pinto do Amaral

(Lisboa, 12 de Maio de 1960) é um poeta, crítico literário e professor universitário português.
Filho da popular actriz dos anos 40, Maria Eugénia. Frequentou a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, desistindo a meio do curso para optar pelas Letras.
É, desde 1987, professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Colaborou em revistas como Ler, A Phala, Colóquio/Letras e o jornal Público.
Traduziu As Flores do Mal, de Baudelaire, que lhe valeu o Prémio do Pen Club e o Prémio da Associação Portuguesa de Tradutores, e Poemas Saturnianos de Verlaine. Traduziu ainda toda a poesia do argentino Jorge Luís Borges.
Página web: http://www.criticaliteraria.com/Fernando-Pinto-Amaral
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos.
Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro?
O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
Fernando Pinto do Amaral

(Lisboa, 12 de Maio de 1960) é um poeta, crítico literário e professor universitário português.
Filho da popular actriz dos anos 40, Maria Eugénia. Frequentou a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, desistindo a meio do curso para optar pelas Letras.
É, desde 1987, professor do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Colaborou em revistas como Ler, A Phala, Colóquio/Letras e o jornal Público.
Traduziu As Flores do Mal, de Baudelaire, que lhe valeu o Prémio do Pen Club e o Prémio da Associação Portuguesa de Tradutores, e Poemas Saturnianos de Verlaine. Traduziu ainda toda a poesia do argentino Jorge Luís Borges.
Página web: http://www.criticaliteraria.com/Fernando-Pinto-Amaral
sábado, 12 de setembro de 2009
Castelos de areia.

Num dia qualquer de verão, sem vento, resolvi construir um castelo na praia do meu coração. Sem o velho traquejo, mas com uma colher, um copo de água e um projeto.
Juntei a areia que umedecia aos poucos, gota a gota. Moldei as partes com a colher de sobremesa.
Sem muita firmeza. Mas a cada novo cômodo o sonho se expandia.
Envolvida deixei de observar a tarde que caia.
Não tardou chegou a primeira brisa, trazida não sei de onde: do passado? Do além?
A areia, quase seca, deslizou aqui e ali. Tentei recolocar, mas as partes, ali em pé, não aderiram com a mesma firmeza.
Ficou um castelo meio assim: nem de princesa nem real.
A brisa virou vento que, de tempo em hora, vem causticando o meu projeto.
Hoje já nem sei se é só areia, mas na praia estão a colher e o copo.Etelvina de Oliveira
foto: www.google.com.br
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Tempo
domingo, 6 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Beija-me!

Beija-me os lábios.
Na vigília da noite
penso em ti, ouço-te.
Beija-me a face.
Por amor a este amor,
toca-me em sonhos.
Beija-me as mãos.
E negue-me um sorriso
se de ti me esqueci.
Beija-me sem véus.
Sob os murmúrios do amor
tudo se diz no infinito.
Beija-me e te dou uma flor
para ser tua companhia
na solidão das noites frias.
Etelvina de Oliveira
Publicado no Recantos das Letras em 19/12/08
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