quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Você sabe com quem está falando?


Quem?
Como assim?
Com certeza, em algum momento da sua vida está pergunta bateu-lhe com força nos tímpanos fazendo seu cérebro esquentar e sua mente e corpo reagir: “Você sabe com quem está falando?”.

Algumas hipóteses para tê-la ouvido:
- após um acidente, enquanto verificavam se estavas vivo;
- no retorno de uma anestesia cirúrgica;
- depois de um choque emocional;
- para os mais sensíveis, depois de fazer exame de sangue:
- quando atendeu o telefone às 3h da manhã e era trote;
- sempre que responde/discorda da opinião de sua mãe;
- quando chega bebado em casa e não lembra nem do seu nome.

Ou, simplesmente, quando falou com alguém que se acha o “rei” ou “rainha” da cocada, seja ela da cor que preferir.

Se você não estiver vivendo “Um dia de Fúria”, como o relatado no filme de mesmo nome, e nem for uma mulher com TPM, com certeza essa frase não te pertence.

Mas, são comuns os relatos de pessoas agredidas de alguma forma por alguém que pronuncia esta frase para se impor pela força do cargo ou da classe social ou financeira que ocupam.

Nem precisa ser o “próprio importante”, basta ser filho ou parente do dito cujo, para se achar intocável.

Se vivêssemos nos tempos em que o “bigode” valia mais que uma assinatura, tudo bem. Mas, como temos visto nos noticiários, nem a VIDA vale mais nada o que dirá o bigode ou o que sai da boca de um cidadão. E dependendo do cargo deste cidadão, se for político, piorou.

Nem importa que seja verdade ou não.

Por exemplo, dias atrás assisti no programa “Mais Você” a apresentadora Ana Maria Braga ler o relatório do Oficial de Justiça encarregado de vistoriar a casa do pai da menina Joana, suspeito de causar a morte da filha.

Como esse relatório chegou à “boca do povo” não sei, mas a dita frase está lá. Registrada e sacramentada como mencionada por um dos papas da justiça brasileira.

Soube hoje, por um fato que a mesma apresentadora deixou escapar, que, graças a divulgação daquele relatório onde consta a dita pergunta: Você sabe com quem está falando?, o oficial de justiça já está no “olho da rua”. Mais um desempregado no país.

E pior, nem sei, de quem estão falando de verdade, tamanho o embrulhou que se formou. Só revelaram as superficialidades dos fatos que quebram galhos e abrem portas, nem sempre honrosas.

Mas vou parar por aqui, afinal, tal qual o oficial que, mesmo sem nunca ter aparecido na telinha, acabou sendo o único culpado, melhor aguardar os próximos capítulos.

E quanto a você: trate de comentar logo depois de ler!

Ou vai me dizer QUE NÃO SABE DE QUEM É O TEXTO QUE ESTA LENDO?


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Novos tempos

Os braços afroxaram
As mãos cederam
A boca muda e murcha
serenou.

Há paz.

Recomeçar.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Parabéns para nós.

Dia 29 de setembro foi seu aniversário. Com certeza mesmo, só seus pais se emocionaram de verdade. Eu esqueci. Lembrei depois.

Acho que preferi deixar passar em branco.
Aliás, percebo que tenho feito isso com tudo que diz respeito a ti. Como se tivesse trancado um segredo a sete chaves.
Me dei conta disso hoje.

Logo que acordei sua imagem me veio á mente. Pela segunda vez, depois que você se foi, senti vontade de recordar e escrever algo sobre nós. Esta, na verdade, é uma carta para mim e não para você. Depois escreverei um poema no outro blog.

Está sendo bom colocar pra fora o que adormece em mim desde sempre. Na pior das hipóteses, se ninguém ler esta missiva, pelo menos eu terei deixado aqui tudo de nós dois.

Para muitos pode parecer estranho, mas não te amo mais.

Não da forma que amei; que achava que era o ideal e certo; da maneira que aprendi que era amar.

Não há mais posse, ciúmes, inseguranças, medos.

Você se acomodou em mim. Faz parte das minhas entranhas, dos nossos frutos. Quando seu filho sorri, fala, ou caminha pela casa, há você nele. Mesmo que nenhum dos dois fale ou se lembre de você. Eu sei que há.

Demorei, mas compreendi que não existem comparações ou infidelidades quando quem se ama faz parte de si mesmo. É assim com nós dois. Estamos sincronizados.
Será essa a palavra?

Mas não foi sempre assim. Levou anos para eu pensar desta forma.

Primeiro foi duro aceitar que você me deixou. Depois, senti muita raiva.
Mas muita raiva mesmo. Raiva de ficar sozinha. Raiva da vida. Raiva dos filhos que planejamos para criarmos juntos. Raiva da morte que não me levava.

Acho que quando sofremos sempre renegamos o que sentimos e queremos achar um culpado. Nem que o nosso culpado seja totalmente inocente.

Só sei que não sabia o que fazer da vida estando sozinha. Principalmente, depois de ter achado que a vida se resumia em nós dois.

Nos apaixonamos e decidimos dividir nossas vidas um com o outro. Casar e ter filhos foi uma conseqüência natural.

Quando penso nisso me vem a na mente as aves que preparam o ninho para acolher seus ovos. Mentalizo uma estrada que leva a uma praia tranqüila com ondas quentes e calmas. Se sabe que pode ventar e esfriar. O mar pode ficar bravio mas o calor da mão que segura a nossa nos aquece.

Sei lá. Eu tinha certeza que seriamos EU e Você pra sempre.
E você foi embora.

Putz!

Tive que ruminar esse Adeus por anos. Houve época que arrastava sua presença como se fossem bolas de ferro presas aos meus pés. Outras vezes, você era uma cruz nas minhas costas que me prendia a saudade.

Nem sei quando sobrevivi a você. Não tenho esse marco limítrofe bem claro.

Acho que foi o famoso tempo.
Esse tempo que tanto se fala.

Sei que tudo serenou em mim.

Nossa, mais um aniversário!
Como teria sido?
Será que isso importa?

Talvez eu te esqueça de vez. Quem sabe um dia eu releia tudo isso aqui no blog e até ria.

Só sei que estamos bem.

As crianças cresceram e eu envelheci por fora.
Não curto mais as mesmas coisas que curtíamos juntos.
Não choro mais com raiva de você nem de mim.
Não brigo mais com a emoção.

Pouco tempo atrás, me apaixonei, fiz castelos de areia e desamei.

Uma coisa é certa: a vida segue em frente e Deus nos abençoou com a capacidade de amar.

Amor se aprende a cada dia.

Então, no final das contas, PARABÉNS pra mim, parabéns pra nós.



para Silas, em memória
29/09/63 a 11/01/94