segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ela

Sim! Musa, soberba, irreal, precisa, lunar, nívea e serena
Mas venha, entre, dispa-se! E nua, assim, sem cerimônia
Ó fantástica, visão celeste, solta os teus desejos açucena
É que andas à noite ao léu do meu leito insone, demônia!

Cai-nos bem a nudez! Espelho contra espelho: fogo, anseios
Para a nossa psiquê num quadro nu de amor venal no oficio.
Aqui dentro, as chamas, céus de gozos na delicia dos beijos,
Mais belo ficará o mundo assim na assimetria do nosso vício.

E há no luar um murmúrio de ais, de desejos comprimidos
No teu perfume que exala ocupando todos os meus espaços,
Delíquios da tua voz de balido aflorando-me os sentidos...

O teu olhar como um sol que alvorece queima o meu peito
Ah! Vem quando eu dormir, neste soneto, ardentes chamas
Em laços de paixão que os astros bendirão, deixa um beijo!

O Sibarita


Postado por O Sibarita às Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Minha amiga Jussara - Parte II

Conheci um blog novo: saiajusta.blogspot.com.
Muito interessante, voltarei mais vezes.
Nesse blog li o relato de uma ex-fumante contando como ela largou o vício.

“...Uma noite fui a um culto numa igreja Batista e lá o mensageiro me apresentou a Jesus sendo o Deus-Filho que podia tudo. Que Ele era o Deus dos impossíveis. Legal, pensei. Vou desafiar esse Deus a parar de fumar. Se Ele fizer isso, vou mesmo acreditar que Ele é o Deus dos impossíveis. Mas tem um porém, ai Deus dos impossíveis. Falei assim com Deus. Não quero sentir nenhuma vontade de fumar. Entendeu?
E estou até hoje, 26 anos sem fumar. Assim como também a minha fé cresceu no Deus dos impossíveis....”


No mesmo instante lembrei de minha amiga Jussara.
Que saudade!
Por onde andará a Jú?
A última vez que nos falamos soube que já tinha dois netos e que só o seu caçula ainda estava solteiro.
Puxa, esse texto me fez abrir um baú antigo onde guardo todas as recordações de momentos significativos da minha vida.
A Jussara, sem dúvida, marcou o principal deles: meu encontro com Jesus.
Se você achou engraçada essa frase, não se espante, eu morria de rir quando alguém me falava sobre isso.
Inclusive ria muito das coisas da Jússara.
Achava tudo muito fantasioso. Como uma pessoa madura, estudada - ou não, poderia acreditar em “milagres”?
Principalmente, em milagres sem a ajuda dos Santos ou sem promessas.
Como a maioria das pessoas, eu acreditava em previsões, cartomantes, pais de santo, astrologia, gurus, tarô, carma e simpatias. Mas, milagres?
Pessoas com doenças terminais que saram?
Paralitico que anda?
Você ser consolado na hora da morte?
Isso pra mim era balela. Coisa de “gentinha”, espíritos inferiores, lavagem cerebral ou coisa assim.
Não sei o que foi, só sei que um belo dia me peguei de boca aberta ouvindo os “testemunhos” da Jússara.
Ela me contava de como foi curada de uma enfermidade e das transformações fisicas e espirituais por que passou sua vida.
Acho que nem piscava. Tudo aquilo me fascinou, tanto que quando ela me deu de presente uma bíblia e recomendou que eu a lesse, nem pestanejei.
Sorvi aqueles textos.
Algumas passagens achei cansativas, outras pareciam que "falavam" comigo.
A partir da palavra eu mudei.
Um dia a Jussara me disse que chamaria algumas “irmãs” para orar por nós ali no serviço o que achei super normal.
Estranho foi quando em pleno expediente - nos 15 minutos de café que tínhamos direito – passei a trocar meu lanche por orações.
Em um desses dias dobrei meus joelhos ali mesmo, na sala de enfermagem, e disse: eu aceito Jesus.
Aceito o Deus do impossível.
No começo eramos eu, a Jú e uma irmã. Depois o grupo foi crescendo, tanto de colegas de trabalho quanto de irmãs.
Confesso que não entendia nada sobre aquilo: lágrimas brotando dos olhos, coração aos pulos, as palavras vindo ao encontro dos meus pensamentos.
Aprendi com o tempo.
A vida me mostrou que ali começava uma caminhada de lutas como tantas outras, como a sua, e de vitórias.
Na verdade, Deus sabe de tudo que iremos passar e, como nos conhece e sabe de nossas fraquezas, ele nos chama para nos pegar no colo e nos fortalecer.

Mas essa é outra história.....

Bom dia!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Minha amiga Jussara - Parte I

Quem nunca evitou conversar, passar perto, ou sentar junto com uma pessoa "crente"?
Ficar no mesmo ônibus ou vagão de trem, nem pensar.
Se você nunca foi preconceituoso, parabéns!
Eu já fui, e muito.
Fiz um pré-julgamento sobre esse fato e criei um estereótipo que acreditava ser inabalável.
E quando você age assim, não enxerga mais nada ao seu redor. Só a vida para se encarregar de mudar isso.
Em 1987, quando fui trabalhar em um posto do INAMPS passei a conviver mais de perto com uma "dessas pessoas", de nome Jussara, que vivia com a bíblia na mão.
Logo no primeiro dia de serviço, nas apresentações do pessoal, já vi pelas características que se tratava de uma "crente". Roupas discretas, saia longa, blusa fechada e com mangas, cabelos enrolados em um coque preso com grampos, nada de maquiagem, nem enfeites, e um olhar profundo e sereno.
Risonha, mas séria, e sempre pronta para falar sobre sua crença e nos orientar sobre o "melhor caminho".
Bastava uma folguinha no serviço e ela dava uma rápida passada de olhos naquele pequeno livro de capa preta.
Muitas vezes, as pessoas na fila davam um tempinho para que ela lhes dirigisse a atenção, não sem um desdém visível no rosto.
Sorrindo, Jussara colocava a bússola da vida ao lado e, muito gentil, iniciava o atendimento sem falhas, que não dava brecha para nenhum comentário.
Caso houvesse alguma reclamação ela citava, mansa e docemente, versículos bíblicos que os outros na fila calavam.
Não raramente, a fila parava para que alguém a ouvisse atentamente.
Alguns pediam oração, outros conselhos, e nós - as colegas de trabalho -, torcíamos o nariz, certas de que o resto da fila sobraria para nós atendermos. Isso nunca aconteceu.
Na hora do cafezinho era um terror, ninguém queria tomar café com a Jussara.
Era um tal de lembrar de coisas para fazer: ligações importantes, preencher formulários ou inventar uma semana de regime. Enfim, tudo valia a pena para não ouvir suas orações ou "testemunhos" milagrosos.
Mas, quando nada funcionava, eu era a escolhida para permanecer na mesa enquanto as outras, entre risos, se afastavam.
Com o passar do tempo notei que essas minhas permanências na mesa além de freqüentes começaram a me dar um certo gosto.
Nem imaginava que isso já era plano de Deus.
Aliás, Deus nem fazia parte da minha vida – só nas necessidades, é claro.
Não tinha tempo ruim para Jussara, ela estava sempre brincando e feliz.
Descobri que era casada com um administrador que trabalhava em outra repartição pública federal, tinha quatro filhos, e que a mais velha estava grávida.
Para uma preconceituosa, o mais surpreendente foi perceber que a Jú era "normal", tinha alegrias e problemas como todos nós.
Quando falava das "coisas de Deus" seus olhinhos brilhavam de uma forma que nos envolvia, sem criticas, sem querer te obrigar a nada.
Sem impor sua crença ou sua igreja. Elogiava todas as denominações.
Alertava que todas tinham seus acertos e defeitos, cabia a Deus determinar onde era o lugar de cada um. E que no tempo certo tudo se acomodava.
Percebi que ali nascia uma amizade que daria muitos frutos.

Mas essa é outra história.....

Bom dia!

texto: Etelvina de Oliveira